Introdução

Para entender melhor como ocorrem os problemas do joelho, é importante ter a noção da sua anatomia e como funcionam as diversas estruturas em conjunto.

Primeiro, vamos definir alguns termos anatómicos comuns e como estes se relacionam com o joelho. Isto irá tornar mais claro quando se falar das estruturas mais tarde.

Muitas partes do corpo possuem duplicações. Por isso, é comum usar termos que definem onde é que a parte está situada tendo como referência uma linha imaginária traçada através do meio do corpo. Por exemplo, medial quer dizer mais perto da linha mediana. Então, o lado medial (ou lado interno) do joelho é o lado que está mais próximo do outro joelho. A face lateral (ou face externa) do joelho é o lado que está longe do outro joelho. Estruturas no lado medial, normalmente têm medial (ou interno) como parte do seu nome, como por exemplo o menisco medial (ou menisco interno). A expressão anterior refere-se à frente do joelho, enquanto que o termo posterior refere-se à face posterior do joelho. Assim, o ligamento cruzado anterior está á frente do ligamento cruzado posterior.
Este guia irá ajudá-lo a compreender

  • as estruturas que compõem o joelho
  • e como funcionam

 

Estruturas Importantes

O joelho é composto por:

  • ossos e articulações
  • ligamentos e tendões
  • músculos
  • nervos
  • vasos sanguíneos

 

Ossos e Articulações

O joelho é o local de encontro de dois importantes ossos do membro inferior: o femur (osso da coxa) e a tíbia (osso da perna). A rótula (ou patela, como é também chamada) situa-se na parte da frente do joelho.

A articulação do joelho é uma articulação sinovial. As articulações sinoviais são envolvidas por uma cápsula que contém um líquido, chamado líquido sinovial, que lubrifica a articulação.
A extremidade distal do fémur une-se ao topo da tíbia para formar a articulação do joelho. O fémur termina formando dois côndilos: o condilo femural interno e o côndilo femural externo, os quais articulam com a superficie da tíbia. Esta superfície é formada por dois“pratos”: o prato tibial interno e o prato tibial externo. A rótula desliza através de uma ranhura especial formada pelos dois côndilos femorais chamada de cha.
O osso mais pequeno da perna, o peróneo, não entra realmente no joelho. Ele possui uma pequena articulação que o une á extremidade superior da tíbia: articulação peróneo-tibial superior. Esta articulação normalmente move-se muito pouco.

A cartilagem articular é o material que cobre as extremidades dos ossos de qualquer articulação. Este material mede cerca de 0,6 cm de espessura na maioria das grandes articulações. É branca e brilhante e tem uma consistência elástica (de borracha). A cartilagem articular é uma substância escorregadia que permite que ás superfícies deslizarem uma contra a outra, sem atrito. A função da cartilagem articular é a de absorver choques e proporcionar uma superfície extremamente lisa para facilitar o movimento. Temos cartilagem articular essencialmente em todos os lugares em que duas superfícies ósseas se movem uma contra a outra, ou se articulam.

No joelho, a cartilagem articular cobre as extremidades do fémur, o topo da tíbia, e a face posterior da rótula.

Ligamentos e tendões

Ligamentos são faixas de tecido fibroso que unem as extremidades dos ossos e as mantêm na sua posição. Dois ligamentos importantes encontram-se nos lados da articulação do joelho: o ligamento lateral interno (LLI) e o ligamento lateral externo (LLE).

Dentro da articulação do joelho, existem dois outros importantes ligamentos que ligam o fémur e a tíbia: o ligamento cruzado anterior (LCA) na frente, e o ligamento cruzado posterior (LCP) atrás deste.

O LLI e o LLE impedem os movimentos laterais do joelho. O LCA e LCP controlam os movimentos antero-posteriores da articulação do joelho.

O LCA impede que a tíbia deslize demais para a frente em relação ao fémur. O LCP impede que a tíbia deslize demasiado para trás em relação ao fémur. Trabalhando em conjunto, os dois ligamentos são cruciais no controlo do movimento do joelho. Os ligamentos, todos em conjunto, constituem o mais importante controlo de estabilidade das estruturas do joelho.

Dois tipos especiais de estruturas chamadas meniscos situam-se entre o fémur e a tíbia. Estas estruturas são muitas vezes referidas como as cartilagens do joelho, mas os meniscos diferem da cartilagem articular que cobre a superfície da articulação.

Os dois meniscos do joelho são importantes por dois motivos: (1) eles controlam a distribuição da carga (peso) no joelho e (2) contribuem para a estabilidade dos ligamentos do joelho.

Por acção dos meniscos, o peso distribui-se por toda a superfície da tibia. Este facto é importante porque protege a cartilagem articular, sobre as extremidades dos ossos, de forças excessivas. Sem os meniscos, a concentração de força numa pequena área sobre a cartilagem articular pode danificar a superfície, levando à sua degeneração ao longo do tempo.

Além de proteger a cartilagem articular, os meniscos contribuem para estabilidade dos ligamentos do joelho. Os meniscos, tornam a articulação do joelho mais estável, agindo como uma cunha que se coloca num pneu de um carro para evitar que ele se desloque.

Os tendões são semelhantes aos ligamentos, excepto que os tendões ligam músculos a ossos. O maior em torno do joelho é o tendão rotuliano. Este tendão formado pela terminação do músculo quadricípete na coxa, cobre a rótula e vai inserir-se na parte superior e anterior da tíbia.

Os músculos isquiotibiais na parte de trás da perna também têm tendões que se inserem em redor do joelho. Estes tendões são por vezes utilizadas como enxerto para substituir ligamentos rotos do joelho (p.ex. o LCA).

Músculos

O aparelho extensor do joelho é o motor que impulsiona a articulação do joelho e nos permite caminhar. Situa-se em frente da articulação e é constituído pela rótula, pelo tendão rotuliano, pelo tendão quadrícepete, e pelo músculo quadrícepete. Os quatro músculos do quadrícepete, na frente da coxa, são os músculos que formam o tendão do quadrícepete. Quando esses músculos contraem, eles promovem a extensão da articulação do joelho (por exemplo quando se levanta de uma posição de cócoras).

A forma pela qual a “roldana” (constituída pelo tendão quadricípete, rótula e tendão rotuliano) funciona dentro do sulco patelar na frente do fémur e do joelho, pode afectar a função global do joelho. A rótula funciona como um ponto de apoio, aumentando a força exercida pelo músculo quadrícepete enquanto o joelho se estende.

Os músculos isquiotibiais são os músculos da parte de trás do joelho e da coxa. Quando esses músculos se contraem, dobram-se os joelhos.

Nervos

O mais importante é o nervo poplíteo na parte de trás do joelho. Este grande nervo viaja da perna ao pé, fornecendo sensibilidade e controlo muscular. O nervo divide-se pouco acima do joelho para formar os nervos tibial e peroneal. O nervo tibial continua para baixo na parte de trás da perna, enquanto o nervo peroneal viaja no exterior do joelho para baixo e na parte da frente da perna até ao pé. Ambos estes nervos podem ser danificados por lesões do joelho.

Vasos sanguíneos

A maioria dos vasos sanguíneos em redor do joelho viajam com o nervo poplíteo para a parte de baixo da perna. A artéria poplítea eveia poplítea constituem o maior suprimento sanguíneo da perna e do pé. No caso de lesão da artéria polítea, é muito provável que a perna não sobreviva. A artéria poplítea transporta sangue para a perna e para o pé. A veia poplítea transporta sangue de volta ao coração.

Resumo

O joelho é uma articulação um pouco instável. No entanto, suporta o peso do corpo inteiro quando em pé, e muito mais ainda durante a caminhada ou corrida. Portanto, não é surpreendente que os problemas do joelho sejam uma queixa bastante comum entre pessoas de todas as idades. Compreender as estruturas básicas do joelho pode ajudá-lo a entender melhor o que acontece quando ocorrerem lesões no joelho.